domingo, 19 de junho de 2011

LAMENTO SERTANEJO

Aproveitando os festejos juninos vamos ouvir “Lamento Sertanejo”, interpretada por Gilberto Gil e Dominguinhos. Reparem nas noções de cidadania transmitidas!






Lamento Sertanejo
Composição : Dominguinhos / Gilberto Gil
Por ser de lá
Do sertão, lá do cerrado
Lá do interior do mato
Da caatinga do roçado.
Eu quase não saio
Eu quase não tenho amigos
Eu quase que não consigo
Ficar na cidade sem viver contrariado.
Por ser de lá
Na certa por isso mesmo
Não gosto de cama mole
Não sei comer sem torresmo.
Eu quase não falo
Eu quase não sei de nada
Sou como rês desgarrada
Nessa multidão boiada caminhando a esmo.


sábado, 4 de junho de 2011

Música e silêncio


Marcilio Franca sugere para ser analisado um caso de que gosta muito.

“Trata-se de um caso bastante interessante em que se discute não a proteção da autoria de música, mas a proteção da autoria do silêncio. Veja: Da obra do grande maestro, compositor e teórico da música americano John Cage, destaca-se a composição intitulada 4’33”, de 1952, tradicionalmente descrita como quatro minutos e trinta e três segundos de silêncio. A partitura de 4’33” contém três movimentos (I.Tacet; II.Tacet; III.Tacet) em que o(s) músico(s) não deve(m) executar nenhuma nota musical e só os ruídos da platéia são ouvidos. Em 2002, a tradicional Edition Peters (detentora dos direitos daquela obra "musical" de Cage) acusou Mike Batt, líder do grupo musical inglês The Planets, de ter plagiado o silêncio de John Cage, dando origem a uma controvérsia jurídica sem precedentes. Detalhes do caso estão nesse link. Há mais referências na internet.” Marcilio Franca

Sobre música e silêncio: Em 16 de janeiro de 2004, no Barbican Centre de Londres, a BBC Symphony Orchestra interpretou os três movimentos da peça 4'33". Veja o vídeo aqui:






Enviado por Marcilio Franca

Francisco Alves - Hino a João Pessoa (1930)






“João Pessoa foi morto a tiros pelo jornalista João Dantas, que apoiava o inimigo político de Pessoa, o coronel Zé Pereira, da cidade de Princeza, na Paraíba. Considerado o grande mártir da Revolução de 30, o hino em sua homenagem, um grande sucesso na época, foi cantado na abertura da revista teatral “O Barbado” no Rio duas semanas depois da vitória da Revolução. Seus autores são o maestro Eduardo Souto e Oswaldo Santiago, poeta pernambucano e compositor de valsas e marchinhas de carnaval.”

Marcilio Franca, comenta:

“Governador da Paraíba, João Pessoa foi candidato a vice-presidente na chapa liderada por Getúlio Vargas, derrotada nas fraudulentas eleições de 1929/1930. Seu assassinato, em julho de 1930, no Recife, provocou comoção nacional. O disco da gravadora Odeon com a voz de Chico Alves cantando o hino fez um enorme sucesso.

A letra diz o seguinte:
“Lá do Norte, um herói altaneiro,
Que da pátria o amor conquistou,
Foi um vivo farol que ligeiro
Acendeu e depois se apagou.
João Pessoa, João Pessoa,
Bravo filho do sertão!
Toda a pátria espera um dia
A sua ressurreição.
João Pessoa, João Pessoa,
O seu corpo varonil
Vive ainda, vive ainda
No coração do Brasil.
Como um cedro que tomba na mata,
Sob o raio que em cheio o feriu,
Assim ele ante a fúria insensata
De um feroz inimigo caiu.
João Pessoa, João Pessoa,
Bravo filho do sertão!
Toda a pátria espera um dia
A sua ressurreição.
João Pessoa, João Pessoa,
O seu corpo varonil
Vive ainda, vive ainda
No coração do Brasil.
Paraíba, ó rincão pequenino,
Como grande esse homem se fez!
Hoje em ti cabe todo o destino,
Todo o orgulho da nossa altivez.”



Enviado por Vanisa Santiago

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Zeca Afonso - Grândola, Vila Morena





Sobre o vídeo Manuel David Masseno, comenta:

“A Canção que serviu de mote à Revolução Portuguesa de 1974, sublinhando os Princípios da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, isto é, a Trilogia de 1789!”


“ Esperemos que esta liberdade conseguida resista à implementação das medidas de austeridade da Troika.Que o próximo Governo execute bem as medidas,para vivermos todos melhor.”


 “Rectius, que o próximo Governo consiga modificar ou, até, denunciar o Acordo com o FMI...”


Haja algo que nos salve; só a fé já não basta.


“Certamente que precisamos nos envolver mais e atuar, enquanto sociedade civil, nos espaços que podemos fazer a diferença nas decisões. Os conselhos são esses espaços deliberativos. Mas cadê os que fazem a diferença? São sempre os que lutam por interesses corporativos que estão presentes, ou quase todos, para não ser desanimada e injusta...”


George Harrison My Sweet Lord






“Hoje veremos no Direito na música, um tópico que está intimamente ligado à minha área acadêmica - Direito autoral. Sobre disputas em torno de autoria de canções. Este exemplo foi trado do livro da Profa Mônica Sette Lopes - Imagens da Justiça
Escutem e leiam as letras destas canções: My sweet lord e This Song george Harrison”

Ricardo Abreu Jr. , responde:

“Música linda, professora! George era meu Beatle favorito. É bem verdade que ela foi considerada plágio, mas não deixa de ser uma bela oração. Hare Krishna!”
E continua:
“Em 07/09/1976: O juiz Richard Owen, da Corte Suprema do Estado de Nova York, após considerar a canção "My Sweet Lord" um plágio involuntário, condena George Harrison a pagar $587.000 para a ABKO Music, detentora dos direitos autorais da música "He's So Fine," sucesso dos Chiffon de 1963. O dono da ABKCO Music é ninguém menos que Allen Klein, que em 1970, mesma época da gravação de "My Sweet Lord," era empresário de George Harrison, e tem seu nome citado no álbum entre os agradecimentos.”

Sensacional serendipidade!



No momento em que a Faculdade de Direito da UFPB se prepara para receber, pela primeira vez, uma conferência sobre “Direito e Música”, eis que o número mais recente da Revista Polítika (n. 2) traz, em sua última página, uma charge de autoria de Rei em que se vê uma Justiça vendada ao lado das “três ceguinhas de Campinha Grande”. Para quem não conhece, Regina, Maria e Francisca são três irmãs cegas de nascença que, desde meninas, ganham a vida cantando e tocando ganzá em troca de esmolas pelas cidades e feiras do Nordeste. A história das “três ceguinhas de Campinha Grande” foi contada com muita beleza e grande poesia no documentário “A Pessoa é para o que Nasce” , dirigido por Roberto Berliner. Ao juntar, na mesma charge, a Justiça e as três irmãs cegas, Rei aponta os seus lápis e pincéis para uma Justiça próxima da cultura do povo do Nordeste e que é capaz de enxergar com os olhos da alma – assim como fazem Regina, Maria e Francisca! Desde que Platão, no “Fedro”, propôs a distinção entre os “olhos do espírito” e os “olhos do corpo”, para denotar as distinções entre um conhecimento essencial ou profundo e um conhecimento bruto ou superficial, a justiça deve ser a virtude de ir mais além do que a mera superficialidade visível dos fatos. O grande poeta Sérgio de Castro Pinto, em seu poema camões/lampião (1970), trata, com a sua costumeira maestria, do argumento da invisualidade que vê melhor: “camões / escrevia com o olho cego / por senti-lo mais seu / que o olho aberto / e por poder o olho cego / infiltrar-se, ir mais dentro / e externar o seu inverso.” Parabéns ao Rei pela sua charge que mostra que cegueira nem sempre significa o contrário de enxergar!



Enviado por Marcilio Franca